Sobre nossa campanha

Desde o dia 26 de fevereiro de 2020, o Brasil lida com a pandemia mundial do coronavírus, dia do registro da primeira infecção. Pouco mais de uma semana depois, no dia 6 de março, o primeiro contágio em Minas Gerais foi confirmado. De lá pra cá, mais de 14 milhões de brasileiros infectados e mais de 410 mil mortos. Enquanto o mundo procura formas de voltar a uma certa normalidade, nosso país segue uma crescente sem horizonte de melhora.

A omissão do poder público, crises políticas que ofuscam o problema da doença, orientações confusas para a população e disputas desleais de narrativas trouxeram o país para o momento que vivenciamos: abandono dos mais pobres, fome, desemprego, medo e perda de direitos.

Um breve histórico da pandemia global de coronavírus

*atualizado em 5 de maio de 2021

Antes de tudo, precisamos entender qual é o inimigo. O Sars-Cov-2 faz parte da família coronavírus, nome mais popularizado quando nos referimos a ele. A doença, batizada de covid-19 (por ter sido detectada no ano de 2019) teve seu primeiro diagnóstico na cidade de Wuhan, na província de Hubei, na China, em dezembro.

 

No entanto, novos testes já comprovaram que haviam pessoas infectadas na França em outubro de 2019. Além disso, amostras de esgoto de Florianópolis de novembro de 2019 também detectaram a presença do vírus. Após reconhecer uma epidemia local, o governo chinês acionou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou todo o mundo para o perigo que se aproximava.

 

2020

Os meses de março e abril de 2020 foram difíceis para a Europa e uma parte da Ásia. Assistimos os sistemas de saúde de países como Itália e França colapsarem, mas o problema ainda não parecia grave por aqui.

Em meados de abril, Índia, Coreia do Sul e o continente africano começaram a reportar emergência sanitária. A essa altura, a OMS já havia identificado a onda de infecções por covid-19 como uma pandemia – quando a enfermidade é amplamente disseminada.  O Brasil teve tempo de cumprir o isolamento social e se preparar, mas crises internas do governo e o negacionismo de Bolsonaro atrasaram uma série de processos nevrálgicos para frear a pandemia. 

O presidente era contra o uso de máscara, incitava e participava de aglomerações a todo instante, brada contra o isolamento e promove medicamentos sem eficácia comprovada. Além disso, atrasou o processo de contratação de vacinas e trocou o ministro da Saúde três vezes neste ano. O primeiro, Luiz Henrique Mandetta, era médico e foi demitido em abril. O segundo, Nelson Teich, também médico, ficou apenas um mês na pasta, saindo em maio. Ambos manifestavam discordâncias com a condução da crise sanitária por Bolsonaro. Entrou, então, o general Eduardo Pazuello, sem qualquer ligação com a Saúde. Desde maio, ocupou o cargo interinamente, sendo empossado oficialmente em setembro.

Voltando à abril, foi neste mês que a maior economia do mundo, os Estados Unidos, entraram na pior fase da pandemia e se tornaram o epicentro mundial da doença. O país liderou em casos e mortos durante todo o ano de 2020. Nessa época, a situação no Brasil também estava caótica: São Paulo tinha os maiores números de casos e mortes, mas o colapso do sistema de saúde chegou primeiro aos lugares com menos infraestrutura, como o Amazonas e Ceará.

Enquanto diversas regiões do país já sofriam com o aumento exponencial de casos, Minas Gerais parecia estar bem. No entanto, o nível de testagem no nosso Estado é um dos piores do país. Extremamente subnotificados, os casos pareciam ser poucos, o que toleraria uma flexibilização.

É importante lembrar que todos os lugares do mundo que, em julho de 2020, flexibilizaram, passaram antes por um processo drástico de isolamento social, testagem em massa e rastreamento de casos.

 

Não foi o que houve aqui. Belo Horizonte fechou e abriu diversas vezes, assim como outras cidades de Minas Gerais e do Brasil. O segundo semestre seguiu a mesma toada. O Sindieletro se inteirou dos casos junto à Cemig, a fim de saber quais medidas estão sendo adotadas para proteger os trabalhadores contaminados.

2021

Começamos o ano com desespero: em janeiro, Manaus viveu momentos de terror com a escassez de oxigênio para os internados com coronavírus. Logo após, um primeiro respiro: as vacinas da Coronavac (do Butantan com a chinesa Sinovac) e Astrazeneca foram aprovadas pela Anvisa para uso emergencial, no dia 17 de janeiro. Desde então, a vacinação começou em todo o país, ainda que a passos lentos. No dia 12 de março de 2021, a vacina de Oxford (Astrazeneca) também foi aprovada definitivamente.

 

Posteriormente, o ministério da Saúde comunicou que existem mais de 500 milhões de doses de vacinas contratadas, com previsão para entrega total em 2021. Ainda em março de 2021, a vacinação correu a passos largos em alguns lugares do mundo (como Israel, que já havia imunizado totalmente mais de 47% de toda a sua população), e outros países que simplesmente não tem mais um número expressivo de casos de covid-19, como a Nova Zelândia.

 

Neste mapa, que é constantemente atualizado, vemos as taxas de vacinação ao redor do mundo. Em março, o Brasil estava em 6º lugar na administração total de doses, com mais de 10 milhões de doses aplicadas. Mas na porcentagem em relação à quantidade de habitantes, amargava o 19º lugar - só vacinamos pouco mais de 5% da população.

Outro ministro passou a ocupar a cadeira da Saúde em março de 2021: Marcelo Queiroga foi empossado no dia 23. É um médico de volta ao comando da pasta, mas que deve trilhar caminhos parecidos com os de seu antecessor, Pazuello. 

A curva de casos diários varia. A média diária de mortes no país estava, na data de 29 de março de 2021, em 2.598 óbitos. O recorde de mortes diárias até esta data foi de 3.650 óbitos, na sexta-feira (26). Mas no dia 8 de abril, outro recorde: 4.242 mortes em um só dia. Entre altos e baixos, os níveis de UTI variavam, e restrições eram intensificadas em todo o país. Minas Gerais permaneceu na Onda Roxa até o início de abril, mas com a queda de índices, reabriu as atividades não-essenciais.

Abril foi marcado por outra escassez: a dos medicamentos do kit intubação. Pessoas intubadas começaram a acordar em hospitais do Recife, por falta de sedação. Com tanto descaso do poder público, finalmente foi instaurada a CPI da Covid, no dia 27 de abril, e ministros da Saúde foram ouvidos. Ao menos 173 requerimentos compunham as investigações, que analisavam o uso de recursos para combater a pandemia. 

Foi também em abril que mais uma variante apareceu. Até aquele mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA destacaram cinco variantes entre as mais preocupantes: B.1.1.7 (detectada no Reino Unido), P.1 (conhecida como a variante de Manaus), B.1.351 (África do Sul), B.1.427 (Estados Unidos) e B.1.429 (Estados Unidos).

No início de maio, a vacinação ainda seguia lenta. Apesar da vacina da Pfizer começar a ser entregue no país, ainda há atrasos, e muitas pessoas não conseguiram tomar a segunda dose. O motivo? O Ministério da Saúde orientou que todas as doses fossem usadas para a primeira vacinação, inclusive as que seriam guardadas para a segunda dose. A faixa etária varia no país, mas até o início de maio, ainda eram vacinados os adultos com comorbidades e profissionais da saúde em geral. 

Apesar de, no dia 4 de maio, mais de 400 mil brasileiros já terem perdido suas vidas, o luto é mais impactante quando perdemos uma pessoa afamada. As 42 anos, o humorista Paulo Gustavo partiu, após quase dois meses internado com coronavírus. O falecimento causou comoção nacional.

Até o momento, perdemos 15 eletricitários, que são homenageados no Memorial deste site. 

Pelo fim da exploração do homem pelo homem!

 

Lembrando sempre que o Sindieletro defende vida, trabalho e dignidade, não poderíamos ficar inertes neste momento. É por isso que lançamos a campanha Sindieletro Contra Covid, para abarcar todas as nossas atividades dentro das empresas que representamos e também junto aos movimentos sociais e representantes de outras categorias profissionais.

Estamos aqui para defender os direitos dos trabalhadores, além de informar, responder dúvidas, orientar e acolher todos que precisem de nós agora. Confira nossas ações, nossas orientações de saúde e as notícias relacionadas. Caso tenha denúncias ou dúvidas, utilize o formulário de contato. Estamos juntos, como sempre! #SindieletroContraCovid