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Parte II: Quem está sob risco?



Trabalhadores das categorias essenciais, como é o caso dos eletricitários, estão, obviamente, mais expostos. Os trabalhos em equipes, a circulação entre cidades, a lida direta com os clientes; tudo isso são fatores de risco. Todos que precisam sair de suas casas para trabalhar estão sob risco. Ou mesmo aqueles que estão em home office, mas de alguma maneira precisam se expor em função do trabalho. 

Como sabido, a transmissão do novo corona vírus, se dá pelo contato, por gotículas respiratórias e aerossol. De acordo com o documento da Fundacentro:

As pessoas emitem partículas com vírus em diversos tamanhos, e algumas são pequenas o suficiente para se manterem suspensas no ar, em forma de aerossóis (gotículas diminutas, menores que 5 micrômetros), podendo permanecer viáveis por até três horas. Assim, a locomoção do vírus pelo ar se dá através tanto desses aerossóis, quanto de partículas de poeira contendo os vírus” (p. 11).

Portanto, o fato de compartilhar instrumentos de trabalho e estar no mesmo ambiente já compõe fatores de risco importantes. A contaminação pode ser por via direta ou indireta. Caso uma pessoa infectada, com ou sem sintomas, espirre, tussa, fale ou lhe toque, os vírus poderão pousar diretamente em nossos olhos, boca ou nariz, causando a contaminação. As partículas também podem pousar em superfícies no ambiente de trabalho ou nas roupas que serão tocadas. Podemos, ainda, ser contaminados pelo contato com os aerossóis dispersos pelo ar. A limpeza e cuidados são de extrema importância, mas como todas as medidas de segurança e EPI’s, os riscos são mitigados, mas não eliminados. 

De acordo orientações técnicas da rede pública de saúde do país, as primeiras mortes registradas no Brasil, veiculadas na imprensa, foram de um porteiro de condomínio de luxo e de uma empregada doméstica. Os casos evidenciam a importância de obter informações sobre ocupação e trabalho das pessoas com covid-19, de modo a elaborar medidas protetivas e ações específicas que contribuam para diminuir a vulnerabilidade desses segmentos de trabalhadores e demais categorias. 


Prevenção à Covid-19: Orientações para prevenção e controle da Covid-19 nos locais de trabalho, Fundacentro, 2020, disponível em https://www.medicina.ufmg.br/osat/wp-content/uploads/sites/72/2020/07/Cartilha_Recomenda%C3%A7%C3%B5es_Gerais_FLV__SNR_Jul-2020-pdf.pdf

Orientações Técnicas para a Investigação e Notificação de Casos de Covid-19 Relacionados ao

Trabalho. SUS, Bahia, 2020. Disponível em http://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/orientacoes-tecnicas-investigacao-notificacao-casos-covid-19-relacionados-trabalho


Portanto, compreender os riscos de cada categoria e estabelecer os devidos nexos é de suma importância para o combate à pandemia. Afinal, quais são os critérios para o estabelecimento do nexo causal? Confira na próxima parte.

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