Cuidados na Pandemia

Um breve histórico da pandemia global de coronavírus

*atualizado em 29 de março de 2021

Antes de tudo, precisamos entender qual é o inimigo. O Sars-Cov-2 faz parte da família coronavírus, nome mais popularizado quando nos referimos a ele. A doença, batizada de covid-19 (por ter sido detectada no ano de 2019) teve seu primeiro diagnóstico na cidade de Wuhan, na província de Hubei, na China, em dezembro.

 

No entanto, novos testes já comprovaram que haviam pessoas infectadas na França em outubro de 2019. Além disso, amostras de esgoto de Florianópolis de novembro de 2019 também detectaram a presença do vírus. Após reconhecer uma epidemia local, o governo chinês acionou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou todo o mundo para o perigo que se aproximava.

 

2020

Os meses de março e abril de 2020 foram difíceis para a Europa e uma parte da Ásia. Assistimos os sistemas de saúde de países como Itália e França colapsarem, mas o problema ainda não parecia grave por aqui.

Em meados de abril, Índia, Coreia do Sul e o continente africano começaram a reportar emergência sanitária. A essa altura, a OMS já havia identificado a onda de infecções por covid-19 como uma pandemia – quando a enfermidade é amplamente disseminada.  O Brasil teve tempo de cumprir o isolamento social e se preparar, mas crises internas do governo e o negacionismo de Bolsonaro atrasaram uma série de processos nevrálgicos para frear a pandemia. 

O presidente era contra o uso de máscara, incitava e participava de aglomerações a todo instante, brada contra o isolamento e promove medicamentos sem eficácia comprovada. Além disso, atrasou o processo de contratação de vacinas e trocou o ministro da Saúde três vezes neste ano. O primeiro, Luiz Henrique Mandetta, era médico e foi demitido em abril. O segundo, Nelson Teich, também médico, ficou apenas um mês na pasta, saindo em maio. Ambos manifestavam discordâncias com a condução da crise sanitária por Bolsonaro. Entrou, então, o general Eduardo Pazuello, sem qualquer ligação com a Saúde. Desde maio, ocupou o cargo interinamente, sendo empossado oficialmente em setembro.

Voltando à abril, foi neste mês que a maior economia do mundo, os Estados Unidos, entraram na pior fase da pandemia e se tornaram o epicentro mundial da doença. O país liderou em casos e mortos durante todo o ano de 2020. Nessa época, a situação no Brasil também estava caótica: São Paulo tinha os maiores números de casos e mortes, mas o colapso do sistema de saúde chegou primeiro aos lugares com menos infraestrutura, como o Amazonas e Ceará.

Enquanto diversas regiões do país já sofriam com o aumento exponencial de casos, Minas Gerais parecia estar bem. No entanto, o nível de testagem no nosso Estado é um dos piores do país. Extremamente subnotificados, os casos pareciam ser poucos, o que toleraria uma flexibilização.

É importante lembrar que todos os lugares do mundo que, em julho de 2020, flexibilizaram, passaram antes por um processo drástico de isolamento social, testagem em massa e rastreamento de casos.

 

Não foi o que houve aqui. Belo Horizonte fechou e abriu diversas vezes, assim como outras cidades de Minas Gerais e do Brasil. O segundo semestre seguiu a mesma toada. O Sindieletro se inteirou dos casos junto à Cemig, a fim de saber quais medidas estão sendo adotadas para proteger os trabalhadores contaminados. Até o momento, chegou ao nosso conhecimento a morte de doze eletricitários, entre ativos e aposentados, que homenageamos na seção Memorial deste site. 

2021

Começamos o ano com desespero: em janeiro, Manaus viveu momentos de terror com a escassez de oxigênio para os internados com coronavírus. Logo após, um primeiro respiro: as vacinas da Coronavac e Astrazeneca foram aprovadas pela Anvisa para uso emergencial, no dia 17 de janeiro. Desde então, a vacinação começou em todo o país, ainda que a passos lentos. No dia 12 de março de 2021, a vacina de Oxford (Astrazeneca) também foi aprovada definitivamente.

 

Posteriormente, o ministério da Saúde comunicou que existem mais de 500 milhões de doses de vacinas contratadas, com previsão para entrega total em 2021. Ainda em março de 2021, a vacinação correu a passos largos em alguns lugares do mundo (como Israel, que já havia imunizado totalmente mais de 47% de toda a sua população), e outros países que simplesmente não tem mais um número expressivo de casos de covid-19, como a Nova Zelândia.

 

Neste mapa, que é constantemente atualizado, vemos as taxas de vacinação ao redor do mundo. O Brasil está em 6º lugar na administração total de doses, com mais de 10 milhões de doses aplicadas. Mas na porcentagem em relação à quantidade de habitantes, amarga o 19º lugar - só vacinamos pouco mais de 5% da população. Em Minas Gerais, estamos começando a vacinar a população acima de 79 anos.

Outro ministro passou a ocupar a cadeira da Saúde em março de 2021: Marcelo Queiroga foi empossado no dia 23. É um médico de volta ao comando da pasta, mas que deve trilhar caminhos parecidos com os de seu antecessor, Pazuello. 

Infelizmente, ainda não estamos vendo uma curva descendente de casos e mortes. A média diária de mortes no país está, na data de 29 de março de 2021, em 2.598 óbitos. O recorde, até esta data, de morte diárias, foi de 3.650 óbitos, na sexta-feira (26). Os níveis de UTI continuam altos, e restrições estão sendo intensificadas em todo o país. Minas Gerais, nesta data, está na Onda Roxa até o dia 4 de abril. Enquanto aguardamos a vacinação, todos nós devemos continuar a fazer nossa parte individualmente. Vamos falar sobre isso agora?

Como o vírus é transmitido?

A transmissão acontece de uma pessoa contaminada para a outra, por meio do toque ou aperto de mão e gotículas de saliva expelidas pela fala, espirro, tosse e catarro. Nos primeiros meses da pandemia, havia uma suspeita sobre a possibilidade de contaminação por meio de objetos que podem conter o vírus, como celulares, mesas e maçanetas. No entanto, estudos ao longo do último ano comprovaram que esse tipo de transmissão é bem rara. Mas é interessante continuar a higienizar objetos que costumamos levar ao rosto, como celulares, ou à boca, como garrafas. A higienização das mãos também continua crucial. Nunca toque o rosto antes de lavar as mãos!

Saiba mais como se proteger
Se proteger e cuidar dos que estão próximos a você é, agora, mais que uma necessidade. É um dever. Sabemos que representamos uma categoria da área de serviços essenciais. Portanto, atenção aos protocolos da Organização Mundial da Saúde e aos protocolos internos de cada empresa  para se proteger:

Sempre use a máscara no ambiente laboral e também em serviços externos. No final desta página você encontra o passo a passo que preparamos para você, ensinando a usar a máscara corretamente;

Não toque a máscara enquanto a utilizar;

Ao chegar em casa, para as máscaras de algodão, imerja a máscara numa solução de 1L de água para uma colher de água sanitária e deixe por 1h. Depois, lave com água e sabão e deixe secar. Para as máscara de materiais especiais, como as resistentes ao fogo, siga as orientações da empresa para sua devida higienização. Não reutilize sem fazer esses procedimentos. Sua máscara pode estar contaminada;

Evite colocar as mãos no rosto quando estiver fora de casa, principalmente nos olhos, na boca e no nariz. Quando chegar em casa, lave bem as mãos antes de retirar a máscara (pelo elástico, não pela frente);

Higienize as mãos com água e sabão com frequência. Caso não tenha por perto, use álcool gel 70;

Pratique o distanciamento social – 2 metros em relação ao outro. Lembre-se que a máscara não é vacina. A junção do uso da máscara + distanciamento social + higiene é de suma importância para evitar a proliferação da doença;

Ao chegar em casa, tire toda a roupa e coloque para lavar imediatamente. Vá para o banho;

Lembre-se de não entrar com os sapatos da rua em casa. Reserve um espaço para colocar os sapatos do lado de fora.

Caso você possa exercer sua função em home office, é mais simples:

Saia apenas quando realmente necessário, para fazer compras de supermercado e farmácia, ou comparecer à uma consulta médica, por exemplo;

Desinfete as compras de supermercado com álcool 70;

Use máscara sempre que sair, mesmo que apenas no hall de entrada do seu prédio;

Os elevadores são lugares de alta probabilidade de infecção. Só entre de máscara e só divida o elevador com pessoas que moram com você;

Lembre-se que o vírus não infecta por falta de afinidade. Mesmo aquela reuniãozinha com os amigos ou a família pode custar vidas. Se preserve!

Quais são os sintomas?

Como o vírus é novo, a ciência está sempre descobrindo novos sintomas. É preciso estar atento às notícias e acompanhar fontes confiáveis (como a Fiocruz, a OMS, o portal Dráuzio Varella, entre outras) para detectar mudanças no seu corpo.

Mais comuns:
  • Tosse seca ou com secreção;

  • Febre;

  • Perda de paladar ou olfato;

  • Fadiga corporal;

  • Diarreia;

  • Dor de garganta;

  • Pressão ou dor no peito;

  • Coriza.

Menos comuns:
  • Conjuntivite;

  • Dor de cabeça;

  • Perda de apetite;

  • Erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés.

Mais graves:
  • Dor ao respirar;

  • Falta de ar;

  • Perda de fala e movimentos;

  • Dor e pressão no peito.

             ATENÇÃO:            

Estar sem sintomas não significa que você não esteja infectado. Uma grande porcentagem das pessoas será assintomática – no entanto, transmitirá o vírus da mesma forma. Usar máscara e praticar o distanciamento é um sinal de empatia e respeito ao outro.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da covid-19 é realizado pelo profissional de saúde, que deve avaliar a presença de critérios clínicos:

Pessoa com quadro respiratório agudo, caracterizado por sensação febril ou febre, que pode ou não estar presente na hora da consulta (mas pode ser relatada ao profissional de saúde), acompanhada de tosse OU dor de garganta OU coriza OU dificuldade respiratória, o que é chamado de síndrome gripal;

Pessoa com desconforto respiratório/dificuldade para respirar OU pressão persistente no tórax OU saturação de oxigênio menor do que 95% em ar ambiente OU coloração azulada dos lábios ou rosto, o que é chamado de Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Caso o paciente apresente os sintomas, o profissional de saúde poderá solicitar exame laboratoriais:

De biologia molecular (RT-PCR em tempo real), que diagnostica tanto a covid-19, quanto a Influenza ou a presença de Vírus Sincicial Respiratório (VSR);

Imunológico (teste rápido), que detecta, ou não, a presença de anticorpos em amostras coletadas somente após o sétimo dia de início dos sintomas.

O diagnóstico da covid-19 também pode ser realizado a partir de critérios como: histórico de contato próximo ou domiciliar nos últimos 7 dias antes do aparecimento dos sintomas, caso confirmado laboratorialmente para covid-19 e para o qual não foi possível realizar a investigação laboratorial específica. Estes aspectos também serão observados pelo profissional durante a consulta.

O Sindieletro ressalta que a testagem é mais um instrumento importante no combate à disseminação do vírus, mas ela não deve ser usada como único critério para convocar trabalhadores para retornar ao trabalho. Isso se deve às limitações importantes dos testes: é possível que dê falso negativo, ou seja, uma pessoa infectada pode receber um teste que não acuse a doença. Isso pode ser perigoso para todos ao redor dessa pessoa.

Por último, mas não menos importante, é crucial lembrar que pegar covid-19 e sobreviver não significa estar livre de sequelas. Hoje em dia, muitas pessoas relatam diversos sintomas que duraram meses ou ainda persistem, como falta de olfato e paladar, cansaço extremo e lesão no pulmão, rins e até coração. 

Portanto todas as medidas devem ser cumpridas de maneira responsável. A recomendação é se proteger e proteger todos ao redor. Ao menor sinal de sintoma, ou de contato com alguém sintomático ou caso confirmado, contate o serviço médico da empresa.

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